Esponditile Anquilosante: O que é, causas, sintomas e tratamento?

O  que é?

A espondilite anquilosante é uma doença reumática crónica de natureza inflamatória. 

O seu nome deve-se ao facto de as vértebras ficarem inflamadas e fundirem-se entre si, causando anquilose (fusão) da coluna vertebral e das articulações sacroilíacas. O resultado acaba por ser a limitação da mobilidade e a perda de flexibilidade da coluna vertebral.

Tipos de Espondilite Anquilosante

As espondilartrites são um grupo de doenças inflamatórias crónicas, que têm em comum um conjunto de características clínicas e genéticas. Estas doenças dividem-se, de acordo com o predomínio das manifestações clínicas em:

  • Espondilartrite Axial: Quando atinge sobretudo a coluna vertebral e as articulações sacroilíacas.
  • Espondilartrite periférica: Quando predomina o envolvimento de outras articulações, sobretudo dos membros inferiores.
  • Forma entesopática: Quando as inserções dos ligamentos são a manifestação preponderante (artrite psoriásica, a artrite associada à doença inflamatória do intestino (doença de Crohn ou colite ulcerosa), a artrite reactiva, entre outras formas

Sintomas

A espondilite anquilosante manifesta-se de modo gradual com dor severa, difícil de definir mas sobretudo na região lombar, acompanhada de dificuldade na mobilização, rigidez e enfraquecimento muscular.

  • Rigidezarticular
  • Dorsalgia inflamatória: dores na coluna dorsal, mais intensas durante a noite.
  • Lombalgia inflamatória: dores na coluna lombar, mais intensas de manhã e durante a noite.
  • Pseudo-ciatalgia: dores ao nível das nádegas (dores glúteas) e por vezes na face posterior das coxas, podendo alternar entre o lado direito e esquerdo.
  • Talalgias: dores na região do calcanhar causadas pela inflamação do tendão de Aquiles e da fáscia plantar.
  • Tendinites: inflamação dos tendões, que origina inchaço e dor no tendão de Aquiles e no tendão patelar.
  • Artrite periférica: inflamação das articulações, que atinge predominantemente os membros inferiores (anca, joelho e tornozelo).
  • Olho vermelho: inflamação do olho (uveíte), que exige tratamento urgente para evitar sequelas, tais como diminuição da visão.
  • Perda de apetite;
  • Cansaço e apatia;
  • Febre baixa;
  • Dificuldade em respirar devido à diminuição da expansividade do tórax.
  • Pode haver sensação de dormência e/ou formigamento nos braços ou nas pernas.
  • Depressão
  • Stress

Causas

As causas na origem da espondilite anquilosante são ainda desconhecidas; sabe-se, no entanto,  que existe uma associação entre esta doença e o antigénio HLA-B27 (um marcador genético), que parece desencadear uma resposta anormal à acção de determinados microrganismos. Este é, provavelmente, o processo que desencadeia a doença, fazendo da mesma uma doença possivelmente hereditária.

Diagnóstico

O diagnóstico da espondilite anquilosante é feito com base em sintomas físicos e na observação do doente, podendo ser confirmado pela radiografia e pelas análises sanguíneas, 

Tratamento

Embora o diagnóstico da espondilite anquilosante possa ser dificil, já que a dor nas costas é um problema comum, e muitas vezes as radiografias não apresentam alterações no início da doença. O diagnóstico e o tratamento precoce desta patologia, é essencial para que a maioria dos doentes mantenha a qualidade de vida e  para que a rigidez articular não seja incapacitante.

As pessoas diagnosticadas precocemente, podem iniciar o tratamento antes que a doença tenha progredido, permitindo manter a flexibilidade e o movimento das articulações, e até impedir a fusão óssea, que é o principal e mais debilitante resultado desta doença. Por outro lado, o atraso no diagnóstico pode levar à incapacidade permanente de realizar tarefas diárias.

O tratamento da espondilite anquilosante tem como objetivo controlar a doença, reduzindo o risco de deformações decorrentes das suas complicações, e aliviar as dores e outros sintomas do doente.

Desta forma, o tratamento desta condição clínica implica o recurso a: fisioterapia, para gerir os sintomas, melhorar a qualidade de vida da pesso, preservar a mobilidade e uma correta postura; exercício físico; alimentação adequada, rica em vitamina D, alimentos ricos em cálcio, frutas e legumes frescos, gengibre, alho, leite de coco, o pepino, a beterraba, sementes de linhaça, nozes e reduzir os hidratos de carbono refinados na alimentação; repouso; medicação (Anti-inflamatórios não esteroides); fármacos biológicos; adequação da cama, colchão e sofá, que devem assegurar o melhor posicionamento e conforto do doente; e adaptação da casa de banho, caso seja necessário uma cadeira para banheira ou barras de apoio na parede. 

A cirurgia tem um papel limitado no tratamento desta patologia, mas poderá ser necessária colocação de próteses quando existe uma articulação muito danificada.

 Cuidados diários:

  • Ao acordar, tomar um duche quente e prolongado para aliviar a rigidez matinal.
  • Fazer, todos os dias, exercícios para mobilização da coluna e treino respiratório, de preferência após o banho.
  • Manter uma postura correta (de pé ou sentado).
  • Evitar estar sentado durante horas, levantando-se frequentemente.
  • Ao sentar, manter os joelhos mais altos do que as ancas, evitar cruzar as pernas e sentar-se na ponta da cadeira.
  • Não fumar – fazê-lo agrava o prognóstico da doença.
  • Evitar o excesso de peso, que sobrecarrega a coluna vertebral. Deve transportar as compras em dois sacos, um em cada mão.
  • Usar vestuário simples e prático e os sapatos não devem ter saltos altos, que aumentam a lordose da coluna lombar.
  • Adaptar a casa às suas capacidades, para manter-se o mais autónomo e ativo possível.
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