Ligamento cruzado posterior (LCP)
Este ligamento localiza-se na parte posterior do joelho e tem uma função estabilizadora do joelho ao restringir a deslocação da tíbia para trás em excesso, em relação ao fémur, e contribuir para a estabilidade rotacional do joelho.
De facto, este ligamento é mais forte do que o ligamento cruzado anterior, sendo mais difícil de lesionar. Quando ocorre lesão, ela tende a ser mais subtil e mais difícil de avaliar do que as lesões de outros ligamentos.
Ao contrário do ligamento cruzado anterior, aqui as roturas parciais são as mais comuns, com o potencial de uma regeneração espontânea.
Mecanismos de lesão
O principal mecanismo de lesão do ligamento cruzado posterior (LCP) é o trauma na parte da frente da perna, forçando a mesma para trás em relação à coxa. Isso pode ocorrer, por exemplo, nas seguintes situações:
- Ao bater o joelho contra o painel do carro durante um acidente automobilístico;
- Na prática desportiva, pelo choque frontal de um oponente contra a perna;
- Pela queda em acidentes de mota (actualmente, a causa mais frequente das lesões do LCP);
- Pela hiperflexão do joelho, com o indivíduo a cair sentado sobre o pé, flexionando totalmente o joelho.
Sintomas
Inicialmente, o paciente apresenta dor e edema de intensidade variável. Nas lesões completas, o paciente habitualmente apresenta dor e edema significativo e não é capaz de apoiar o pé no chão inicialmente. Após algumas semanas, a dor melhora, o joelho desincha, mas o paciente mantém a sensação de instabilidade no joelho e a sensação de deslize posterior do joelho.
Nas lesões parciais os sintomas podem ser menos exuberantes e após algumas semanas, a dor melhora, o joelho desincha e possibilita o regresso ao dia-a-dia. É comum nestas situações que, o paciente sinta instabilidade no joelho e que perante um momento de tensão a ruptura parcial possa passar a total.
Outro sintoma que pode advir desta lesão é a dor na parte da frente do joelho e dificuldade de subir e descer escadas.
Diagnóstico
O principal meio de se fazer o diagnóstico é pelo exame físico. Passada a fase aguda, testes específicos, como o teste da gaveta, poderão identificar mais facilmente a lesão do LCP, bem como eventuais lesões associadas em outros ligamentos.
A lesão pode ser classificada em três graus diferentes:
- Lesão grau I: translação até 0,5 cm;
- Lesão grau II: translação até 1 cm;
- Lesão grau III: translação acima de 1 cm.
Exames Complementares de Diagnóstico
Na fase aguda, a radiografia são importantes para que se possa descartar uma fractura por avulsão na inserção do ligamento. Na fase crónica, a radiografia ajuda a identificar eventual artrose, principalmente femuro-patelar, já a ressonância magnética é o padrão-ouro para o diagnóstico da ruptura do ligamento cruzado posterior.
Tratamento
Diferentemente do ligamento cruzado anterior, o LCP, quando lesionado, tem uma boa capacidade de cicatrização. Isso torna possível recuperar total ou parcialmente a estabilidade do joelho com o tratamento não cirúrgico, que é indicado com mais frequência. O risco de complicações e a menor previsibilidade do resultado com a cirurgia são outros factores que tornam o tratamento não cirúrgico mais aconselhável.
Como regra geral, as lesões de grau I e grau II são tratadas sem cirurgia. Já as lesões de grau III, dependendo dos sintomas e da actividade do paciente, podem levar à indicação cirúrgica, especialmente quando ocorrem lesões associadas de outros ligamentos.
O tratamento consiste em manter o joelho imobilizado em extensão, por quatro a seis semanas, com uso de muletas e carga parcial. Após esse período, é preciso trabalhar o fortalecimento muscular com ênfase no quadricípite e, a seguir, iniciar o treino de equilíbrio e da técnica desportiva.
Pós-operatório
A realização de fisioterapia é essencial e deve começar já nos primeiros dias do pós-operatório, sempre sob a supervisão do fisioterapeuta e do ortopedista especialista em joelho responsável pela cirurgia. No período de integração do enxerto são permitidos alguns exercícios e à medida que o a reabilitação vai sendo feita vão sendo introduzidos novos exercícios.
O objectivo inicial é a recuperação da mobilidade do joelho, analgesia e activação da muscular. Os exercícios são intensificados após o segundo mês, mas o retorno pleno ao desporto ocorrerá apenas após um período de sete a nove meses.